O Filme do Ano:
A primeira vista, a possibilidade de apagar um momento ou uma pessoa de sua vida pode parecer muito sedutora. Agora, imagine se isso realmente pudesse ser realizado, será que você apagaria mesmo aqueles momentos tristes que fizeram com que você se tornasse o que é hoje?
É essa a idéia por trás de “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (Eternal sunshine of the spotless mind, EUA, 2004. 108 mins. Direção: Michel Gondry. Com: Jim Carrey, Kate Winslet, Kirsten Dunst, Mark Ruffalo, Tom Wilkinson, Elijah Wood. Distribuidora: FocusFeatures/UIP. Site oficial: www.eternalsunshine.com/)
No roteiro engenhoso de Charlie Kaufman, o mesmo de “Adaptação” e “Quero Ser John Malkovich”, a idéia do primeiro parágrafo é possível, graças a uma clínica nem um pouco confiável chamada Lacuna.
Num momento de fraqueza dentro do relacionamento, Clementine (Kate Winslet) resolve apagar da sua memória toda lembrança dos momentos que teve com Joel Barish (Jim Carrey), quando este descobre, ferido, principalmente no que diz respeito ao seu ego, resolve passar pelo mesmo processo.
Aos desavisados, pode até parecer um bom argumento de um filme de ficção científica. Porém, o que faz o filme, é deixar isso tudo como um pano de fundo e mostrar o relacionamento entre duas pessoas e o quanto tudo, por final, vale à pena.
Não bastasse isso, a direção impecável do mestre dos videoclipes, Michel Gondry (que entre outros, dirigiu “Let Forever Be” do Chemical Brothers e “Like a Rolling Stone” dos Rolling Stones) acentua a dramaticidade em retratos e paisagens surreais da mente de Joel, que arrependido e na tentativa de burlar o procedimento da Lacuna, foge com Clementine para lugares remotos de sua mente, onde ela ainda não existia para ele.
Aliás, Jim Carrey, é um caso a parte, depois de “O Show de Truman” e “O Mundo de Andy”, confirma o seu talento para atuações dramáticas, e corresponde à altura o talento da dupla Gondry / Kaufman.
Há muito a ser dito sobre o filme e mesmo achando isso impossível, não quero aqui estragar nenhuma surpresa aos que ainda não assistiram. Sendo assim, aceitem a minha sugestão e assistam a esse, que já é de longe, o melhor filme do ano.
Escrito por Arthur às 14h42
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